Futebol: Galo: diretor detalha processo de criação e informações de filme sobre o clube

Futebol: Galo: diretor detalha processo de criação e informações de filme sobre o clube

Em entrevista exclusiva ao Super.FC, Sérgio Borges fala sobre “Lutar, Lutar, Lutar”, que estreia nesta sexta (19), em Buenos Aires, na Argentina

“Lutar, Lutar, Lutar”, um documentário que conta a história do Atlético, terá sua primeira exibição pública na noite desta sexta (19), em Buenos Aires, dentro da programação do Bafici, o festival internacional de cinema da cidade argentina. O Super.FC, que noticiou nessa quinta-feira (18), as primeiras exibições da obra, conversou com Sérgio Borges, um dos diretores do filme. Sérgio é mineiro, assim como Helvécio Marins Jr, com quem dividiu os trabalhos de direção. Em entrevista exclusiva, Sérgio falou sobre o processo de produção, os motivos pelos quais o filme vai estrear fora do Brasil e também quais serão os maiores atrativos para os atleticanos.

De acordo com Sérgio, o projeto inicial de um filme em parceria com Helvécio surgiu em 2010 e a ideia era uma película sobre os bastidores do futebol. “Depois, mudamos e decidimos propor um filme para a torcida e que também teria uma receptividade maior do clube. Filmamos em 2014, exatamente quando o Atlético foi campeão da Copa do Brasil”, comentou o diretor. 

O filme, que tem 110 minutos de duração, é fruto de um trabalho que reuniu 400 horas de material de arquivo e mais de 50 pessoas entrevistadas no processo. “Foi um processo maravilhoso, de poder conversar com os ídolos e estar com uma câmara dentro do estádio em 2014, nos jogos da Copa do Brasil contra Flamengo e Cruzeiro. Aquele momento foi de uma redenção histórica do Atlético”, relembra Sérgio Borges, que também relatou ao Super.FC as dificuldades enfrentadas em todo o curso do trabalho. “Fizemos o filme com orçamento mais baixo e corremos atrás de parcerias e recursos. O Banco BMG entrou no início e depois a ESPN, como co-produtora. Nos assustamos com os valores de direitos de imagem e o processo de obter licenças também é delicado e, ao longo de todo esse tempo, passamos por três gestões do Atlético”, comentou.

Vale lembrar que o filme tem a licença do clube. “Entendemos depois que era mais complexo do que a gente imaginava, pelo tamanho da instituição, da torcida e da expectativa. Daria para ser, inclusive, uma série com vários capítulos”, completa o diretor.

Entrevistados e expectativas

São vários entrevistados, desde Vavá, remanescente da geração da década de 1950 e que que excursionou com o clube na famosa viagem dos campeões do gelo, assim como os craques dos anos 1980, como Reinaldo, Éder, Cerezo e Luizinho e atletas campeões da Libertadores de 2013, além de técnicos, torcedores e jornalistas.

Para Sérgio Borges, o que vai mais chamar a atenção dos torcedores é ter todos os elementos da história do Atlético em um só filme. “Muitos acontecimentos e cenas já foram vistos pelos torcedores. O fato de tudo estar junto é um atrativo. Estão no filme as palavras da neta de Dona Alice Neves, torcedora-símbolo do clube em seus primórdios, o Galo dos anos 1920, o título de 1971, as injustiças sofridas pelo clube, os altos e baixos e também a redenção de 2013 e 2014”, disse.

Os diretores estavam abertos a contar a história também depois do título da Copa do Brasil de 2014, ponto no qual o filme se encerra. Chegaram até a filmar a final da mesma competição em 2016, quando o Atlético foi derrotado pelo Grêmio. “Como não teve uma grande conquista nesses últimos anos, decidimos finalizar em 2014. E vamos lançar antes de o Galo conquistar um outro título grande”, comentou Sérgio, já na expectativa de que o atual elenco alvinegro possa erguer taças de peso nesta temporada.

Estreia fora do Brasil

A ideia original era fazer a primeira exibição em praça pública e os diretores chegaram a mandar o filme para a Mostra de Tiradentes, mas a pandemia mudou os rumos e a mostra virou digital. O fato de as salas de cinema estarem fechadas no país no momento também fez com que a estreia acontecesse em Buenos Aires. “Esse filme é mais para a torcida do que para um festival, mas é importante ser exibido internacionalmente e que a história do Galo seja conhecida em todo o mundo”, diz o diretor.

Sérgio explica que o filme precisa ser exibido primeiramente no cinema, em sequência na ESPN e depois pode ter outros tipos de exibição. “Quando o festival de  Buenos Aires nos convida, é bom, porque é um dos mais importantes do mundo e com filmes sobre futebol. Estrear fora de casa é algo longe do nosso sonho, mas uma boa chance de visibilidade. A Argentina também é apaixonada por futebol. “Quando os cinemas forem reabertos no Brasil, queremos lançar o quanto antes no país. Por outro lado, uma carreira internacional pode ser importante e cria uma expectativa mercadológica”, explicou.

Relação com a torcida

Em uma conversa anterior com o Super.FC, Helvécio Marins disse que, do ponto de vista da dramaturgia, os melhores momentos são de 1980 e 1981, uma época marcada por derrotas do clube. Questionado sobre essa situação, Sérgio Borges deu sua visão: “o mote era mostrar porque a torcida atleticana é a mais apaixonada do planeta. Fomos fazer o filme pensando nisso. Nós, diretores, vivemos o que aconteceu em 1977, 1980 e 1981. E isso, ao invés de jogar para baixo, mostrou que a torcida se fortaleceu”, disse. 

Sergio considera também que tudo tem uma conexão com 2013 e 2014, até pelo fato de os presidentes das respectivas épocas, Elias e Alexandre Kalil, serem pai e filho. “Um dos entrevistados fala que o gol do Luan contra o Flamengo na Copa do Brasil era o gol do Reinaldo e que o gol de esquerda do Dátolo era da canhota de Éder. Queria dar essa dimensão. A vida é feita de altos e baixos”, completou.

 

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Fonte: Jornal Super / O tempo

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